Pesquiso, desenho e meço até o produto funcionar.

Product designer. Mestrado em Communication Design na Hanyang University. Trabalho da pesquisa à interface, construo protótipo que funciona de verdade e decido pelo dado de uso.

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Três projetos

2024 – 2026

TrashRush

Prefeitura de Ansan · IC-PBL, Hanyang University · 2025 · projeto em dupla

Ansan é uma das cidades mais estrangeiras da Coreia e as instruções de descarte existem só em coreano. A primeira versão do app ensinava a separar o lixo, e 34 dos 40 usuários abandonaram em menos de uma semana. O dado mostrou o problema: aprendida a regra, ninguém tinha motivo para voltar.

  • UX Research
  • Service Design
  • UI
  • Prototipagem
  • Growth
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TrashRush, telas da segunda versão

K-ONDA

Startup pré-seed, EdTech · 2024 – 2026

Plataforma de três lados que conecta esteticistas coreanas a estudantes latino-americanas. A pesquisa mostrou que a barreira do lado coreano é idioma e distribuição, e que do lado latino-americano a compra depende da educadora ser coreana de verdade. Desenhei a arquitetura, a jornada e os fluxos de matrícula e mentoria.

  • UX Research
  • Product Design
  • Arquitetura de Produto
  • B2B2C
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K-ONDA, perfil da educadora e matrícula

Âncora de Memórias

Projeto acadêmico, Service Design na era da IA · Hanyang University · 2025

A Coreia tem a maior taxa de suicídio da OCDE e um estigma forte em torno de procurar ajuda. Construí sozinha, com ferramentas no-code, um protótipo de chatbot pensado como primeiro passo até a terapia, e não como substituto dela. Conceito e protótipo, sem teste com usuário.

  • Service Design
  • IA Conversacional
  • Prototipagem no-code
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Âncora de Memórias, conversa e entrada anônima

Percurso

Português nativo · Inglês avançado · Coreano TOPIK nível 4

Antes do produto, gráfico

Ilustração, cartaz, colagem e editorial · 2023

Baralho ilustrado
Baralho ilustrado
Cartaz de campanha
Cartaz de campanha
Colagem sobre fotografia
Colagem sobre fotografia
Editorial de revista
Editorial de revista
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TrashRush

Prefeitura de Ansan · IC-PBL, Hanyang University · 2025 · projeto em dupla

O problema

Ansan tem uma das maiores populações estrangeiras da Coreia. As instruções oficiais de descarte existem só em coreano, e o sistema coreano separa resíduo com muito mais granularidade do que quase todo estrangeiro espera.

Pesquisa

20 entrevistas em profundidade e 74 respostas de survey, todas com moradores estrangeiros.

O que apareceu não foi desinteresse. Foi incerteza.

As pessoas queriam acertar e não sabiam como. Plástico e vinil seguem fluxos separados. Casca de ovo não conta como orgânico e vai no lixo comum. São distinções invisíveis para quem não cresceu dentro do sistema, e errar acontece na frente dos vizinhos.

Primeira versão: ensinar

Um jogo educativo. Em vez de mockup estático, construímos um protótipo funcional distribuído por link, com acompanhamento de uso. Isso deixou o comportamento visível desde o primeiro teste.

40usuários na primeira rodada
34abandonaram em menos de uma semana
15%retenção em 7 dias
Telas da primeira versão
Primeira versão: início, identificação do resíduo e feedback de acerto.

O que o dado mostrou

A dúvida tinha prazo de validade.

Quem aprendia a diferença entre plástico e vinil não precisava mais do app. A educação resolvia o problema e, ao resolver, eliminava o motivo de voltar. A jornada mostrava isso com clareza: o pico de emoção estava no primeiro acerto, e depois não havia nada.

Jornada do usuário — primeira versão App educativo. 40 usuários, 34 abandonaram em menos de uma semana. 1 · Erro 2 · Busca 3 · Aprendizado 4 · Domínio 5 · Silêncio EMOÇÃO alta baixa primeiro acerto o pico da jornada inteira a partir daqui não há nada O QUE FAZ Erra a separaçãona frente do vizinho Procura instruçãoe só acha coreano Abre o app e jogapara entender a regra Separa certosem consultar nada Não abre maiso app O QUE SENTE constrangimento frustração curiosidade confiança indiferença O PROBLEMA A dúvida tinha prazo de validade. Resolvida a regra, o produto perdeu a razão de existir. Base: 20 entrevistas e 74 respostas de survey com moradores estrangeiros de Ansan · teste com 40 usuários em protótipo funcional
Jornada do usuário na primeira versão. O pico está no primeiro acerto e não há nada depois dele.

Segunda versão: dar motivo de retorno

Mantivemos a base de jogo e trocamos o gatilho de uso. Entrou uma camada de exploração da cidade: QR codes espalhados por Ansan que liberam sementes raras, e uma floresta que cresce conforme o uso. O aprendizado continuou lá, mas deixou de ser a única razão para abrir o app.

Retenção em 7 dias, antes e depois do redesenho Mesmo grupo de 40 usuários nas duas rodadas. Versão 1 · jogo educativo 34 abandonaram 6 continuaram 15% retenção em 7 dias A mudança Troca do gatilho de uso: entrou uma camada de exploração da cidade, com QR codes espalhados por Ansan, sementes raras e uma floresta que cresce conforme o uso. Versão 2 · exploração da cidade 22 abandonaram 18 continuaram 45% retenção em 7 dias Retenção triplicou. O abandono caiu 35% em termos relativos. Desenho pareado: as duas rodadas usaram o mesmo grupo de 40 pessoas, o que isola a mudança de design da diferença entre amostras. Amostra pequena e contexto acadêmico. Medição por acompanhamento de uso no protótipo funcional.
Retenção em 7 dias antes e depois do redesenho. Mesmo grupo de 40 usuários nas duas rodadas.
Telas da segunda versão
Segunda versão: mapa dos QR codes na cidade, semente desbloqueada e a floresta acumulada.

Entrega para a prefeitura

Além do protótipo, entregamos a jornada do usuário e o service blueprint, que mapeava as dependências operacionais da solução: quem instala e mantém os QR codes na cidade, como os eventos coletivos entram no calendário municipal, e o que precisa existir do lado da prefeitura para o sistema funcionar.

Service blueprint — TrashRush O que precisa existir do lado da Prefeitura de Ansan para o sistema funcionar. Descarte Verificação Recompensa Exploração Retorno EVIDÊNCIA FÍSICA Lixeira do prédio,sacola oficial da cidade Tela do app,câmera do celular Semente, florestana tela QR code em poste,parque, centro cívico Notificação AÇÃO DO MORADOR Separa o resíduo etem dúvida sobre a regra Consulta no appe confirma o descarte Recebe sementee planta na floresta Vai até o QR codepara liberar semente rara Volta no diaseguinte — — — linha de interação O QUE O APP FAZ Mostra a regra noidioma do usuário Identifica o resíduoe dá feedback imediato Credita a semente eatualiza a floresta Mostra o mapados QR ativos Avisa de eventocoletivo próximo — — — linha de visibilidade BASTIDOR DO PRODUTO Base de regras dedescarte por categoria Validação do registroe log de uso Sistema de progressãoe raridade Geolocalização econtrole de QR válido Calendário deeventos — — — linha de interação interna PREFEITURA DE ANSAN Define e publica asregras oficiais Traduz para os idiomasda população local Fornece a base decategorias atualizada Autoriza a contrapartidasimbólica ou material Instala e mantém osQR codes na cidade Autoriza uso de espaçopúblico Inclui os eventosno calendário municipal DEPENDÊNCIA CRÍTICA Sem manutenção do QR na rua, a retenção cai. Projeto em dupla · IC-PBL, Hanyang University, 2025 · cliente: Prefeitura de Ansan
Service blueprint da segunda versão, com as dependências do lado da prefeitura.

O que eu tiro disso

Produto que resolve uma dúvida perde o usuário quando a dúvida acaba.

E construir algo funcional cedo, mesmo que tosco, vale mais do que um protótipo bonito que só produz opinião. O número que mudou a direção do projeto não veio de ninguém falando o que achava. Veio de gente parando de abrir o app.

Sobre o método: as duas rodadas usaram o mesmo grupo de 40 pessoas, o que isola a mudança de design da diferença entre amostras. Amostra pequena e contexto acadêmico.
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K-ONDA

Startup pré-seed, EdTech · 2024 – 2026

O problema

O interesse em K-beauty cresce na América Latina e não existe curso profissional em português ou espanhol com educadora coreana nativa. Quem quer aprender copia tutorial de YouTube. Quem sabe ensinar não tem canal de distribuição fora da Coreia.

Pesquisa nos dois lados do mercado

200 respostas de survey com consumidoras no Brasil, no México, na Colômbia e na Argentina. E 32 entrevistas com esteticistas e maquiadoras coreanas, feitas com protótipo por link monitorado, para ver o que elas faziam e não só o que diziam.

Do lado coreano, a barreira não é falta de vontade de ensinar fora. É idioma e plataforma.

Do lado latino-americano, o que decide a compra é a educadora ser coreana de verdade. Conteúdo equivalente com professora local não gera a mesma disposição de pagar.

Arquitetura de três lados

A educadora publica curso e agenda mentoria. A estudante compra, assiste e conversa. A plataforma media pagamento, certificação e entrega de produto. Desenhei essa arquitetura, a jornada da estudante e os fluxos de matrícula e mentoria.

Arquitetura da plataforma — K-ONDA Três lados, uma mediação. O que cada parte precisa e o que a plataforma resolve no meio. Educadora coreana O QUE ELA TEM Técnica, certificação e reputação no mercado coreano O QUE A TRAVA Idioma e ausência de canal de distribuição fora da Coreia 32 entrevistas Estudante latino-americana O QUE ELA QUER Formação profissional em K-beauty no próprio idioma O QUE DECIDE A COMPRA A educadora ser coreana de verdade, e não o conteúdo 200 respostas de survey · BR, MX, CO, AR K-ONDA o que a plataforma resolve Tradução e adaptação do conteúdo Pagamento internacional Certificação reconhecível Logística de produto publica consome Jornada da estudante Descoberta Avaliação Matrícula Aula Mentoria Certificado chega porrede social checa quem éa educadora paga na moedado próprio país assiste comlegenda e apoio sessão ao vivocom a educadora usa paratrabalhar ONDE A JORNADA QUEBRA Avaliação — a estudante não consegue verificar sozinha se a educadora é realmente coreana e certificada. Matrícula — pagamento internacional é o ponto onde a compra é abandonada com mais frequência. Os dois pontos definiram a prioridade do design: prova de identidade da educadora e fluxo de pagamento local. Startup pré-seed, EdTech · 2024–2026 · pesquisa: 200 respostas de survey e 32 entrevistas com protótipo por link monitorado Status: pré-lançamento.
Arquitetura de três lados, jornada da estudante e os dois pontos onde ela quebra.

Duas decisões de design

Os dois pontos onde a jornada quebrava definiram a prioridade do desenho.

Prova de identidade da educadora. Se a decisão de compra depende da educadora ser coreana de verdade, o perfil não pode ser um texto que qualquer um escreve. Estruturei o perfil em torno de evidência verificável: certificação, salão ou clínica onde atua, e vídeo curto da própria educadora falando.

Pagamento na moeda local. Cobrança internacional é o ponto de maior abandono numa compra latino-americana, e não por falta de interesse. O fluxo de matrícula foi desenhado para terminar na moeda e no meio de pagamento do país da estudante, com a conversão acontecendo por trás.

Telas da plataforma K-ONDA
Perfil com prova de identidade da educadora, e matrícula fechando em reais.

Por que três lados e não dois

O caminho mais curto seria um marketplace de cursos, com a educadora publicando e a estudante comprando. A pesquisa mostrou que isso não resolveria nada: o que trava a educadora coreana não é a falta de vitrine, é idioma, pagamento e certificação reconhecível fora da Coreia.

Por isso a plataforma assume trabalho no meio em vez de só intermediar. Ela traduz e adapta o conteúdo, resolve a cobrança internacional, emite a certificação e cuida da logística de produto. É mais custoso de operar e é a única versão em que os dois lados aparecem.

O que eu tiro disso

Pesquisar os dois lados do mercado antes de desenhar muda o produto inteiro.

Se eu tivesse ouvido só as estudantes, teria desenhado um marketplace bonito que nenhuma educadora coreana conseguiria usar. A entrevista com quem oferta foi a metade mais desconfortável da pesquisa e a que mais mudou a arquitetura.

Status

Pré-lançamento. O trabalho ficou na fase de pesquisa, arquitetura e design da plataforma.

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Âncora de Memórias

Projeto acadêmico, Service Design na era da IA · Hanyang University · 2025

Contexto

A Coreia tem a maior taxa de suicídio da OCDE e, ao mesmo tempo, um estigma forte em torno de procurar ajuda. Diagnóstico de saúde mental pesa em emprego, casamento e reputação familiar, e isso trava o primeiro passo muito antes da questão de acesso a serviço.

A pergunta de design

Um espaço anônimo de escuta pode funcionar como ponte até a terapia, em vez de substituto dela?

A restrição que definiu tudo

Qualquer solução que peça identificação já perde a pessoa que mais precisa dela. Se o medo é a informação circular, cadastro com nome, telefone ou plano de saúde é a própria barreira que o projeto tentava contornar.

Isso eliminou de saída o caminho mais óbvio, que seria um app de agendamento de terapia. Marcar consulta é o fim da jornada, não o começo, e o projeto precisava existir antes disso.

O que eu construí

Um protótipo funcional de chatbot, feito por mim com ferramentas no-code. Três decisões sustentam o desenho:

  • A conversa é organizada em torno de validação, não de solução. O objetivo é a pessoa se sentir ouvida, não receber conselho.
  • Login por pseudônimo, sem coleta de dado pessoal, porque o anonimato é a condição de entrada e não um detalhe de privacidade.
  • O encaminhamento para terapia aparece de forma discreta e só quando a pessoa sinaliza abertura. Oferecer cedo demais devolve a pessoa ao problema que a fez evitar ajuda.
Telas do protótipo do Âncora
Entrada por apelido, sem cadastro, e a conversa organizada em torno de validação.

O que eu descartei

  • Chatbot que dá conselho. Devolver solução para quem está desabafando encerra a conversa e desloca o produto para um lugar clínico que ele não pode ocupar.
  • Diário sem resposta. Resolve o anonimato, mas não resolve a solidão. A pessoa continua sozinha com o que escreveu.
  • Encaminhamento imediato para terapia. Oferecer ajuda profissional na primeira mensagem devolve a pessoa exatamente ao estigma que a fez procurar um espaço anônimo.

O que eu tiro disso

Em produto sensível, a decisão mais importante costuma ser sobre o que não fazer.

E foi o primeiro projeto em que fui da pesquisa ao produto rodando sozinha, sem desenvolvedor e sem orçamento. Isso mudou meu jeito de trabalhar nos projetos seguintes.

Escopo: conceito e protótipo funcional. O projeto não passou por teste com usuário nem por validação clínica, e não deve ser lido como produto de saúde. Se você ou alguém próximo estiver passando por isso, procure apoio profissional.

Vamos conversar

Procuro vaga de product designer em regime remoto. Respondo em português, inglês e coreano.